Mar aberto

The_Ship_by_EredelLeio, releio, escrevo, grifo, mergulho. Mas é impossível me conformar com essa calmaria. Ela, que não sai de um coração cheio de chuva e trovão.

Me jogo no que vejo próximo, mergulho no mundo que não é meu. Mas sei fingir que é.

Dizem que é bom ter um plano, saber para onde se vai. Será?

Cada vez mais acho que não. Planos são âncoras, e âncoras afundam. Na verdade, são uma mentira, são âncoras de plástico.

Como criar a confiança? Há como se agarrar à segurança de um porto? Eu não queria perguntar, mas como faço com todos esses ventos, essas maresias de outros mares que me perseguem sem piedade?

Interminavelmente me perder no oceano que meu coração insiste em criar. Um oceano com tudo que um universo é capaz de conter. Toda a vida e toda a morte. Todos os gritos, todo o silêncio.

Não sei para onde guiar minhas velas e o céu está sempre encoberto, mas a lua está ali, sempre, brilhante, vaga, longe e absurdamente desejável.

Minha bússola não tem ponteiros, mas sei para onde meu oceano quer me levar. Não tenho mais portos, nem sei mais onde ficam suas lembranças.

É tempo de mar aberto. Não há praia, nada além da promessa de que, um dia, ela vai chegar.

Enquanto não há terra a vista, ouço um cochicho, um segredo do vento: “um barco perdido no oceano vira porto em tempestade“.

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