A porta

d32d7e064fe0a174a986e5895a24d57cA porta estava fechada. Essa era sua condição há tempos. Nem ela se lembrava quando fora tocada a última vez. Mas se lembrava do vento. Fora ele que a jogara contra o batente, forte e bruto, fazendo-a ficar assim, trancada entre a rua e a sala, entre o seu mundo e o dos outros.

Desde então, permanecera imóvel, apática. Ninguém a abria, nem mesmo para uma espiada. Ela não abria, não fechava. Para que servia?

Quem a visse agora, seria capaz de imaginar sua importância. Madeira forte, vermelha. A maçaneta, agora emperrada, outrora já fora dourada e brilhante, macia, abria a nossa conhecida porta com extrema felicidade. E facilidade. Quem a tocasse perceberia. Mas ninguém a tocava mais. Hoje está velha e enferrujada, não faz mais nada facilmente. Nem alegremente.

A porta trancada, velha e imponente, apenas esperava por aquele mesmo vento novamente. Fora ele que a trancara, ele que tenha a decência de abri-la.

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