Pressa

Por que essa pressa? Por que tanta pressa em voltar pelo caminho para o começo? Ele era tão bom assim?

Era. Porque não existia. Baseado em uma imaginação fértil demais. Em uma realidade mole demais, não encoberta totalmente pela verdade. Ou era a verdade que se acovardava e se escondia?

A pressa.

Havia pressa em ver ouvir tocar cheirar beijar morder bater ser. Explodir de uma vez.

Havia muita pressa em ser tudo. Por fim, os olhos aflitos. “Que fazer?” perguntavam eles. Temos pressa. E temos o que não sabemos nomear. O que não tem nome – existe?

Sou fratura, pêndulo, um relógio que seria consertado, mas não foi e insiste em permanecer assim, calado, quebrado.

Tenho pressa em me libertar do inominável. Partir. Não tenho medo de partir. Tenho medo de, solta demais, não ter onde me segurar nesse mundo louco e ágil. Se parto, vou como uma pipa sem dono. Afinal, haveria destino para um coração tão apressado?

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2 comentários em “Pressa

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