Pássaros gostam de jazz

Era um dia comum. Desses que a gente não espera muita coisa, só fazer tudo que foi planejado, um café bom no meio tarde e conversar com as pessoas que fazem diferença na nossa vida.

Roupas lavadas, trabalho feito, hora do café.

Os arquivos dos trabalho devem ser fechados, a hora é sagrada.

Por alguma urgência do tempo, os pássaros da vizinhança estão eufóricos. Depois de um seco frio, o Sol deu uma trégua e apareceu. Trouxe uma brisa fresca para ser amigo dos seus tão frágeis companheiros.

Enquanto isso, a água ferve, o pó do café se espalha no filtro. É nesse momento que chamo alguns amigos para tomarem café comigo. Dave Brubeck, Sarah Vaughan, Ella Fitzgerald, Charles Mingus e John Coltrane respirando fundo, inspirando o cheiro do café.

Vou para a varanda, brindo o Sol e peço para que Sarah e Ella cantem mais alto, coloco um amplificador no sax de Coltrane. A rua inteira cessa para ouvir meus amigos cheirando a café.

E é assim que tudo se transforma. Os pássaros eufóricos se tornam serenos e me rodeiam. Juntos ouvimos Sarah perguntar o que é essa coisa que chamamos de amor.

Amor é jazz. Amor é café que acabou de ser feito. Amor é quando os pássaros se acalmam ao seu redor.

Amor é quando o mundo para, com seus pássaros, com seu Sol, com suas brisas. Para e enche nossos pulmões. Para e canta dentro de nós, preenchendo o que há pra ser preenchido.

Amor é o que transforma um dia comum no extraordinário dia em que um pássaro pousa do seu lado, ouvindo jazz de olhos fechados.

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