Jardim da memória

De um tempo para cá, tem sido um pouco mais fácil. Acredito que penso cada vez menos neles, o que não quer dizer que seja pouco. Eu tento me distrair numa atitude quase desesperada para esquecer.

Aos poucos, vou removendo da vida os pequenos espinhos que insistem em me tocar. Confesso que há alguns vazios, algumas flores foram com os espinhos. Sinto falta de alguns perfumes e cores.

Mas é preciso que a vida siga e não estanque no primeiro labirinto maior que aparecer.

Alguns espinhos renascem e é preciso cortá-los várias vezes, com paciência e calma, para que não façam mais estragos.

A memória, tão injusta, esquece o que precisamos lembrar e fixa na retina o que queremos esquecer. É na memória que fica o caos em que me sinto mais impotente. Como organizá-la? Como apagar o que não queremos e deixar em lugar de destaque e de fácil acesso o que precisamos? Esqueceram de ver isso na hora em que fomos feitos.

Vivo agora atrás da alforria da minha própria memória. Que o espinho, assim, deixe de doer, que os perfumes e cores voltem, encapem esses espinhos como algodão, trazendo novamente suaves, felizes e doces memórias.

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