Quem?

É preciso dizer a verdade. A maioria do meus textos nascem de perguntas. Como digo isso? Vou carregar essa pessoa para sempre comigo? Quando fiz tal coisa pela primeira vez? Por que quero fazer aquilo? Lembra daquele beijo? Daquele abraço? Daquele olhar, com aquela música em tal lugar?

E assim vivo através do tempo, me perguntando e me decidindo. Me escolhendo. Definindo quem eu quero ser.

Hermann Hesse, com seu Lobo da Estepe, explica que temos infinitas pessoas dentro de uma pessoa. Somos combinações delas, desses pequenos fragmentos de personalidade que, amontoados num cantinho, nos formam. E, nesse emaranhado de pequenos “eus”, temos as escolhas.

Alex Castro, um outro escritor tão bom que também dá nós na minha cabeça, diz que somos o tipo de pessoa que queremos ser. Se sou ciumenta com as minhas coisas, é porque escolho ser assim. Se me prendo a algo de ruim que alguém me fez, é porque escolho fazer isso. Se sou histérica, ou muda; engraçada ou séria, carrancuda ou risonha, é porque escolho ser isso. E é assim que vamos moldando o tipo de pessoas que somos. 

Somos o tipo de pessoa que escolhemos ser.

Não é só hereditário. Não é só a nossa criação. Não é só o nosso ambiente ou contexto. Não é só nada. Nunca será apenas uma coisa. Nunca será tão simples e bobo a ponto de ser apenas uma coisa só. Sejamos honestos: o universo é rico demais para se resumir em uma coisa só. 

Nada nem ninguém é uma coisa só. Ainda bem.

E é por isso que me recuso a ser apenas uma coisa. O que já foi pensado que eu deveria ser, meu modo de agir e reagir, de sentir, de escolher. Eu quero ser muito mais do que já foi definido por mim e para mim. Todo mundo é muito mais do que define uma sociedade, um governo, uma pessoa, um contexto, uma religião ou seja lá o que você pensar.

E eu me recuso a etiquetar o mundo. As palavras que tenho dentro de mim valem muito mais do que pequenos nomes (que mudam tanto, meu deus!) que “definem” o mundo. E definir é tão limitador.

Quero ser o tipo de pessoa que sabe amar sem limitar o amor. Sem classificá-lo ou defini-lo. Porque só assim, cada fragmento de mim pode ter a sua parte de felicidade. Sem limites, somos verdadeiros. Podemos, enfim, nos sentir únicos, essenciais e insubstituíveis. 

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