25 de janeiro

25 de janeiro. O dia do tão aclamado começo. Há 25 anos, há 30 anos. Há 462 anos.

Procuro por fontes me contando o começo de uma história que gosto tanto de ouvir.

Quem se aproximou primeiro? Quem previu? De onde veio o primeiro?

O início foi pequeno e tímido, ou foi esplêndido logo de cara?

Gosto de ver filmes e fotografias de outras épocas, imaginar que estou presente também nelas.

Vagueio muito entre os mapas que me deram de tantas vias com nomes diferentes para mim hoje em dia. Alguns, antes símbolos da violência e da loucura que rodeavam a cidade, hoje são o endereço de algumas das minhas lembranças mais queridas. Os extremos sempre se aproximam em algum ponto.

O sorriso sincero dos habitantes, pelo que posso ver, não mudou. Mas o falso também não, o que torna tudo perigosamente dúbio.

A procura frenética por algo que não tem nome e, consequentemente, nunca será encontrado, só faz que a perda do controle (sempre tão sensível) transborde. Pensamento e sentimento não mais dançam, só podem digladiar na arena paulista.

Todos observam. Quem se arriscaria a entrar na arena dos gladiadores familiares, tão bem vestidos, de sorrisos tão largos, de olhos tão impenetráveis? Não, o jogo é sujo e respinga sangue.

Para que agir, se podemos apenas observar a autodestruição do amor e reclamar, reclamar, reclamar, reclamar, reclamar, até quando nada mais existir?

Mas, às vezes, quando você se faz atento, os detalhes gritam. Os prédios na Avenida Paulista, o anel no meu dedo, um perfume que passa na escada rolante do metrô. Todo detalhe é lembrança vasta de uma história eterna na cidade que não para.

Amo São Paulo e as histórias que ela me deu. O único lugar no mundo que poderia me dar esse privilégio tão imensurável de tecer a minha história nas histórias de suas próprias ruas e paredes.

O lugar dos inconformados e dos estrangeiros, onde apenas os que querem a falsa comodidade da conformação são capazes de reclamar ao invés de agir.

O lugar em que a história atravessa ruas e paredes, toca a pele da gente.

Sou cria do dia 25 de janeiro. O dia que se criavam os teares das minhas histórias vividas e escritas. Que nesse dia, para sempre, os fios do amor teçam mais narrativas, preenchendo o vazio, criando um caminho iluminado para os que pisam aqui em busca de algo. Busque, sempre, o amor. Ele sempre te achará, nesse dia ou em outro.
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