Pedestal

Às vezes me sinto boba de ainda ter esse blog. Esse site com nome de palavra que bebê fala. Tenho vontade de radicalizar e postar apenas giffs de celebridade e comentários com maiúsculas minúsculas maiúsculas caretas desenhos selfies gatos cachorros balões mais selfies e chicletes uma maquiagem o mozão de caramelo e o mozão de café um comentário prazinimiga vários post feminista e um desenho que eu pintei salamê minguê sorvetê uma baladinha com azamigue e muito sono que ninguém é de ferro e a cama é a melhor companhia carpe diem e tudo mais. Diferentona bloguera cabeça #prapensar.

Mas então, minha memória, que trabalha a favor de alguém que ainda não sei quem, aparece. Translúcida e inegável, apaga a adolescente de 2016 que eu quis ser. Traz a realidade que mesmo quando quero mais esquecer, lembro: não tem ninguém no pedestal agora e o palco está vazio.
Não tem ninguém para ser admirado, cultivado, por quem eu possa me apaixonar e para quem me entregar, e por quem viver e morrer todos os dias e cada minuto. Não. Agora existo sem pausas, sem picos e depressões, sem divisões. Sem o maior radicalismo da arte sem limites.
Não há ninguém na minha sala vermelha e florida para quem eu possa dizer: fiz isso para você.
Não, porque agora, tudo que ouço é que devo fazer o que for para o meu próprio bem, não para quem é meu bem. Não posso mais me dar ao luxo de me apaixonar, pelo que vejo. Já fui nessa trilha antes, já experimentei, agora devo voltar ao caminho dos sensatos, dos sãos.
Porque o amor é loucura, sempre. Porque o que se tornou ~são~, já não é a própria loucura engessada e normatizada? E assim a cura se faz loucura, livre e descontrolada, líquida e fugaz dançarina.
Hoje, estou aqui olhando esse pedestal vazio, várias pessoas passam, mas ninguém parece muito interessado em ficar. Será a perna a mais? A cor é muito chamativa? O desenho não convém? Fico apreensiva. O pedestal é mais uma curva fora da reta. Quem o quer, é apegado demais ao que pode colocar nele, não na posição privilegiada que ele coloca. Logo, essa pessoa já o entorta, enrosca, joga, cansa. Quem não o quer, se assusta. Esse pedestal não é comum…
Um ídolo da adolescência que eu nunca quis assumir talvez resolva um pedestal vazio. Talvez ilumine uma sala que começa a se apagar.
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One thought on “Pedestal

  1. Amanda!
    Sei que às vezes a gente acha que nosso blog não é interessante, mas tem lá nossos escapes da vida, e um valor que só a gente lendo e relendo os próprios textos, sabe do que estamos falando. Eu entendi teu texto, e volta e meia os leio porque me identifico com teus pensamentos e tua escrita. Não desiste dos teus desabafos, e isso vale para mim também – e meu blog nada famoso!-, hehe

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